21 de set de 2006

E seu voto? Vai pra quem?

Estamos a poucos dias de uma data importa. A Eleição!Uma eleição muito particular, diga-se de passagem.
Pela primeira vez, ao menos para os que são da minha geração, não vemos cartazes e mais cartazes, santinhos e mais santinhos e tantas outras sujeiras espalhadas pelas ruas, postes, arvores, muros... Em compensação, no nível ético... a sujeira é generalizada.
O clima é frio. Nenhum grande debate. Nenhuma grande proposta. Até mesmo a noção de direita ou esquerda se perderam. Não da mais pra saber quem é exatamente direita ou esquerda. É claro que ao afirmar isso eu estou excluindo alguns partidos menores que, convenhamos, não podem ser levados a sério.
Muita coisa tem me impressionado nesses dias em que venho tentando acompanhar tanto o horário eleitoral quanto entrevistas, debates e outras notinhas sobre os candidatos. Vamos a lista das bizarrices:

1-) Número de partidos: impressionante. Nunca vi tantas siglas! E notem que trabalho com computação, uma das áreas que mais usa sigla pra definir alguma coisa. Mas é fato. PMN, PAN, PHN, PCS, PSC, e outros tantos pês que nem lembro mais. Absurdo. Somos um país imenso, mas daí a ter tantas linhas de pensamento... Fracamente, isso é pra lá de surreal.

2-) Discursos: os mesmo. Velhos, batidos, desgastados. “Vou diminuir isso!”, “Vou aumentar aquilo!”, “Vou acabar com aquilo outro!”. Meu, a quem querem convencer de que, realmente, a boa vontade deles (se é que existe) pode ser, por si só, fator determinante pra resolução dos problemas. Se fosse assim, à tempos não estaríamos tão doentes, tão analfabetos e tão sub-empregados.

3-) Cara-de-pau: que outro termo dar a tantos calhordas que, mesmo depois de terem o nome amplamente divulgado por estarem em esquemas de corrupção, ainda estão lá. Firmes, com o discurso de que são bons, éticos e que querem mudar o país. Sem contar os velhos carcamanos que não largam suas regalias por nada. Querem um exemplo: José Sarney: nem tão a frente pra não se manchar, nem tão atrás pra não aproveitar. O típico que faz politicagem da grossa pra mandar e desmandar, mas sempre ali, nos bastidores, no cantinho, sem aparecer muito. Para maiores informações, pesquisem no blog do Tas para maiores referências.

4-) Falta de candidato/esperança: não tenho outra visão. Falta gente no mínimo decente. Nomes que não estejam atrelados à velha bandidagem, nomes que não estejam atrelados à nova bandidagem, nomes que não venham de partidos de longa data, que sempre controlaram o país, nomes que queiram realmente trabalhar por salários de 8 a 12 mil reais (acho que é esse o valor, não?) sentindo-se satisfeitos por ganharem mais do que 97% da população.

5-) Oportunismo: candidatos que vem com discurso de defesa de minorias com a única intenção de subir e conseguir algum poder e dinheiro. Só num país confuso e desinformado tais candidatos podem fazer algum sucesso. Sei que há minorias que precisam sim de uma representatividade, de uma proteção. Mas não consigo deixar de pensar numa grande maioria que precisa de muito mais atenção, de muito mais cuidado. Por isso há de se tomar muito cuidado com discursos de cotas, de união homossexual e outros, usados descaradamente sem nenhum embasamento teórico realmente convincente.

Montado todo esse cenário, eu acho difícil escolher alguém pra dar o voto.
Há uma propaganda maciça para que anulemos o voto. Mesmo após algumas explicações de que, mesmo que os nulos sejam maioria, o máximo que irá acontecer é uma nova eleição onde, não necessariamente, os candidatos precisem ser diferentes.
Mas também, qualquer pessoa que pensasse um pouquinho chegaria a uma conclusão óbvia: “Do que adiantar haver novas eleições com outros candidatos se os partidos são os mesmos?”. Alegam que isso seria um gesto de descontentamento... Mas no fundo, mudam-se os atores. Permanece a mesma história!

O que precisamos de fato é sermos atuante. Assistirmos o horário eleitoral “chato”. Ver as entrevistas “babacas”. Ver os debates “cansativos”. Acompanhar as notícias. Conhecer o histórico do partido, dos candidatos, de seus aliados.

Parece cansativo. Parece desgastante. E é! Mas isso não é um direito. É um dever!
Quando você ouve “o Brasil está em suas mãos”, não é uma frase pronta, um clichê. Ele realmente está. O congresso é público. Os Palácios seja o dos Bandeirantes ou o do Planalto, a câmaras estaduais, a câmara federal o senado... É meu. É seu. È nosso.
Não se importe com eles e essa lama, essa pouca vergonha vai continuar.

Pense no candidato que você vai votar. Desconsidere se ele tem a mesma opção sexual que você, se ele tem a mesma religião que você, se ele ajudou a você ou sua família com um bolsa-alguma-coisa. Pense realmente na proposta dele. Tente saber qual o projeto de governo dele. Tente saber se, além do assistencialismo momentâneo, ele tenha algo, a longo prazo, para realmente ajudar as pessoas a terem uma vida decente, sem uma muleta ofertada mensalmente pelo estado.

Não há soluções mágicas. Não há soluções rápidas. Há, sim, mudanças profundas que precisam começar. Quem quer chegar lá, começa dando um primeiro passo. Quando você vai dar o seu?

3 comentários:

Eduardo disse...

Só deixando um comentário, sem muita coisa, pois ainda não voto, então num ia valer muito a pena, e to sem tempo, to quase correndo, mas percebi que deve ser um otemo texto! Parabens! Se der, depois leio!

Abraços

5:30 PM
mariposo disse...

Isso está me perturbando muito, não sei em quem votar ( era para ser o nulo ) .... estou pesquisando canditos por ai ....só não quero esses malas que estão ai devolta ...

10:23 PM
Trintinha disse...

Amigoooooooooooooo! Tudo bem? Olha, sabe que tb falei sobre isso no meu blog.... Acho legal usarmos esse espaço prá dar uma sacudida nas pessoas, despertar para assuntos sérios, importantes... Mas, diante do que vemos na tv e nos jornais, tá dificil de não embrulhar o estomago ou simplismente abandonar o tema... Eu assisto o horário politico todo dia, e cada vez mais acho que não existe humorístico melhor, ou filme de terror pior....
Beijos!

12:29 AM
 

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